quarta-feira, novembro 16, 2005


“Nudez...”

Retira o véu e perceba-me,
Debaixo deste céu,
Destas luzes suspensas,
Deste emaranhado de caos,
Sou a solidão que reina.
Perceba-me,
Neste convexo de dias,
De horas, de saberes,
De completa ignorância,
Contemple-se e complete-me,
Retira a armadura dos medos,
E o linho da intolerância,
Assuma-me de vez nesta nudez,
Nesta ciranda incompleta,
De almas em valsa descoberta,
Vivendo aquém da porta aberta,
Desejosas das cores,
Que o sol dispersa,
Enquanto eles espiam pelas frestas,
Das janelas que a vida jamais abriu.

De tempos em tempos ela volta,
A sombra da velha árvore,
E acaricia a cicatriz,
Hoje, parte daqueles sulcos,
E se recorda do chão riscado de giz,
E dos dedos entrelaçados,
Diante de um sol dolorido,
A se descolorir.
Sempre que torna,
Traz consigo uma saudade,
E o cheiro daquelas aragens,
Que lhe ardiam o coração.
Sempre que torna, ela inventa,
Uma lembrança que lhe queima,
E a faz enfim, despertar, para a nascente,
Que dentro dela, só faz mesmo, assorear.