Estou me tornando uma poetisa maldita, destas que só escrevem para a dor, dor esta que nem sinto, e que outras vezes sinto com tamanho ardor, sou no momento aquela que odeia tudo e todos, e esse é o meu paradoxo, pois até hoje eu só soube amar, odeio cada segundo, odeio até, a mais suave brisa que deixa o mar, o odio, para mim sempre foi o único alimento dos amaldiaçoados, eles que nunca têem nada, nem ilusão, nem esperanças, nem uma alma inspirada, são apenas meras sombras espreitando a luz recém inventada.O pior é reconhecer não é questão de autopiedade, muito menos de estima, é uma questão de alma, e a minha só definha, parece que minhas cores morreram, minhas primaveras feneceram, e eu fiquei sem partir, sentada em minha lápida, as mãos cheias de terra, mas eu me recuso-me aceitar esse último descanso.
Temo demais uma ruptura, e triste é que ela já ocorreu há anos, quando eu passei a pensar que venceria, joguei fora minhas armas, desfiz-me da artilharia, estendi minha bandeira, e essa foi minha ruína...Pensar que sonhar bastaria, que me alimentaria. E esses traços desconexos que distruibuo linha após linha, estão em mim ordenados, somente o medo os desalinha...Esse grande tirano, o meu medo, seria tão fácil bani-lo, se ele não tivesse a minha face, a verdade é que não sei onde aportar, não sei qual porta abrir, qual palavrão gritar, que soluço emitir, meu coração cessa de ecoar, mesmo quando me esforço para ouvir, e o triste que minhas maças permanecem vívidas, meus olhos cheios, sou uma mente traída, pelo seu mais secreto desejo, digo mesmo, insensatez, minha louca necessidade de ser livre, apenas isso, livre...
Trecho de: A Incrivel Viagem a Si Mesma.

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