quarta-feira, novembro 16, 2005


“Nudez...”

Retira o véu e perceba-me,
Debaixo deste céu,
Destas luzes suspensas,
Deste emaranhado de caos,
Sou a solidão que reina.
Perceba-me,
Neste convexo de dias,
De horas, de saberes,
De completa ignorância,
Contemple-se e complete-me,
Retira a armadura dos medos,
E o linho da intolerância,
Assuma-me de vez nesta nudez,
Nesta ciranda incompleta,
De almas em valsa descoberta,
Vivendo aquém da porta aberta,
Desejosas das cores,
Que o sol dispersa,
Enquanto eles espiam pelas frestas,
Das janelas que a vida jamais abriu.

De tempos em tempos ela volta,
A sombra da velha árvore,
E acaricia a cicatriz,
Hoje, parte daqueles sulcos,
E se recorda do chão riscado de giz,
E dos dedos entrelaçados,
Diante de um sol dolorido,
A se descolorir.
Sempre que torna,
Traz consigo uma saudade,
E o cheiro daquelas aragens,
Que lhe ardiam o coração.
Sempre que torna, ela inventa,
Uma lembrança que lhe queima,
E a faz enfim, despertar, para a nascente,
Que dentro dela, só faz mesmo, assorear.

terça-feira, setembro 27, 2005


Sinta só esta esperança, que não cessa de chegar,
Vem sem pressa, mansamente, mas com ânsia de ficar.
Vê a vela já içada, esperando o doce ar,
Que num pulso esfuziante, a tola alma, livrará.
Vês a terra tão querida, que a há muito sei pintar,
E que não tenho energias, para na velha casa se deitar.
Quero ir muito adiante e outras bocas degustar,
Quero ser, o ser de antes, mas outro quero deixar,
Basta de contar estrelas e de lágrimas segregar,
Quem muito espera, só se sabe desencantar.
Vou-me embora, vou-me hoje, para nunca retornar,
Vou-me embora de mim mesma, para outra se achegar,
Quem importa vai comigo, quem não, permanecerá,
Pois eu sou uma sonhadora, que cansou de se enganar.
Se fingindo pequenina, para da vida se ocultar

segunda-feira, setembro 26, 2005

Tenho me perguntado,
Por que os ventos mudaram comigo,
Talvez por que,
Eu me negue a aceitar que fui eu há mudar.
Será que já não admito ser esquecida,
Magoada, interrompida, profanada.
Que me bastaram os silêncios da alma,
Os olhos marejados,
Será que é por que,
Recuso-me a chorar novas lagrimas,
E as antigas perderam-me todas.
Como vou aceitar que não aceito mais,
O pouco caso, o desdém,
Eu quero mais, será que não vejo,
Que não me caibo em meus sentidos,
Que não caibo nos de ninguém.
Que procuro conhecer-me,
Que procuro escutar-me,
Que procuro atender-me,
Que estou tentando ir além,
Serei eu, diferente de alguém?
Será que estou em rumo contrário,
Que me perdi no vaivém,
E se eu estiver, que seja ordinário,
E extraordinário também.
O que em acalenta, é que eu sei,
Como sabem todos,
Que aqueles que nos amaram, estes permanecerão,
Assim, com permanecerão aqueles todos que amamos.
Somos apenas uma teia de pensamentos imperfeitos...
Com todos os tons, que o imperfeito tem.

domingo, setembro 25, 2005

Estou me tornando uma poetisa maldita, destas que só escrevem para a dor, dor esta que nem sinto, e que outras vezes sinto com tamanho ardor, sou no momento aquela que odeia tudo e todos, e esse é o meu paradoxo, pois até hoje eu só soube amar, odeio cada segundo, odeio até, a mais suave brisa que deixa o mar, o odio, para mim sempre foi o único alimento dos amaldiaçoados, eles que nunca têem nada, nem ilusão, nem esperanças, nem uma alma inspirada, são apenas meras sombras espreitando a luz recém inventada.
O pior é reconhecer não é questão de autopiedade, muito menos de estima, é uma questão de alma, e a minha só definha, parece que minhas cores morreram, minhas primaveras feneceram, e eu fiquei sem partir, sentada em minha lápida, as mãos cheias de terra, mas eu me recuso-me aceitar esse último descanso.
Temo demais uma ruptura, e triste é que ela já ocorreu há anos, quando eu passei a pensar que venceria, joguei fora minhas armas, desfiz-me da artilharia, estendi minha bandeira, e essa foi minha ruína...Pensar que sonhar bastaria, que me alimentaria. E esses traços desconexos que distruibuo linha após linha, estão em mim ordenados, somente o medo os desalinha...Esse grande tirano, o meu medo, seria tão fácil bani-lo, se ele não tivesse a minha face, a verdade é que não sei onde aportar, não sei qual porta abrir, qual palavrão gritar, que soluço emitir, meu coração cessa de ecoar, mesmo quando me esforço para ouvir, e o triste que minhas maças permanecem vívidas, meus olhos cheios, sou uma mente traída, pelo seu mais secreto desejo, digo mesmo, insensatez, minha louca necessidade de ser livre, apenas isso, livre...

Trecho de: A Incrivel Viagem a Si Mesma.

Flor de meu desejo,
Ciranda de verso e prosa,
Vou-me pelo mundo no teu beijo,
Rápido... Chama-me de volta!

“Guerra...”.

E me disseram que era o fim, e eu acreditei,
Sentei-me junto a algumas fotos antigas,
E anúncios de TV,
Uma canção que não me perdia,
E me preparei para esquecer.
Então a sol fingiu ser a lua,
E em vez de luz, trouxe trevas,
E em vez de rumores, trouxe silêncios,
Em vez de quietude, trouxe dissabor.
Mas o fim que tanto esperávamos,
Esse não veio, ficaram as feridas,
Expondo na carne, a dor que doía na alma,
E o alarme soou alto, gritou iminente,
Afugentou os pássaros, afugentou as gentes,
Mas foi tardio, para os tormentos que choveram...
Dança euforia o balanço das marés,
O aroma das alfazemas, exalando chaminés.
Ouve o contorno do vento, na estrada a desenhar,
O seu mais novo invento,
Que o grande Homem, nem vai notar...

Como te invejo,
Menino travesso que pula enxurrada,
Sem guarda-chuva, sem manto, sem nada,
Só um sorriso na face e a alma encharcada,
Quem me dera tivesse eu este instante,
De pura mágica inventada.
Esquecer-me-ia de que sou só uma andante,
Vagando sob as ausências da lua.
Como te invejo menino travesso,
Quisera eu, ser alma tua...

sábado, setembro 24, 2005


“Passos...”.

Você que me diz tanta coisa,
E nem usa falar,
Diz-me sem dizer,
Diz-me sem tocar.
Você que me persegue,
E me sabe atormentar,
Tens o meu nome gravado no teu,
E eu não sou, se não estás.
Você, que vivo amaldiçoando,
Noite e dia praguejando,
Pois me vives relevando,
Sem que eu possa me negar.
E o meu ser vai segredando,
Entre linhas me deitando,
Vais e vais me provocando,
Pedindo, exigindo, sangrando,
Vais aos poucos me tornando,
Entre traços me compondo,
Nessa mulher me transformando,
Me fazendo acreditar,
Me querendo exorcizar,
Você que me diz tanta coisa,
Deixa-me...Deixa-me sonhar...

Quero contar hoje,
O que nem mesmo eu o sei,
Desviando-me sinais,
Cegando-me para a verdade,
Que me assombra,
Que me acorda,
Num sussurro urro,
Tarde da noite,
E inquieta,
No meu quarto escuro,
Insone vago,
Silêncio após silêncio,
Temendo meu próprio grito,
Esse mito que me assusta,
Ser simplesmente, quem sou.

domingo, setembro 18, 2005


Estas palavras,
Aguardaram-te por anos,
Ocultas em mim,
Velando-me,
Espreitando-me,
Esperando-te.
Tu, que chegou, e,
Transformou tudo,
Minhas certezas,
Minhas verdades,
Minha alegria,
Minhas vontades,
Minha, racionalidade,
Minha poesia,
Mudou-me...
Sem coragem,
Ou covardia,
E arrancou-me,
Da letargia.
Dos trilhos,
Da razão,
De mim.
E assombrou-me,
Acendeu-me,
Inventou-me,
E de repente,
Esqueceu-me,
Nesta triste escuridão,
Que uns tantos,
Chamam morte,
Qual eu chamo,
Solidão...
Os passos vãos...
Vão me deitando na areia,
Ou serei eu a perder-los,
Maré após maré,
Sem me conceber,
Sem me perceber,
Sem compreender,
Que caminho é esse que nasce,
E antes do sol, busca a partir.
Que espelho é esse em minha face,
Refletindo assim, sem sentir.
E os passos que a areia guarda,
De quem são...O que são?
Se tudo é tão convexo,
E perdida vou-me de um canto a outro,
Neste imenso labirinto verso,
Sinto-me presa as rochas,
Uma corda no pescoço,
A vida toda amarrada,
E ninguém a lançar flores do porto.
Por que vivo a fingir esse farol,
Se eu sei que a tempestade me derrubará,
Por que teimo em mentir, em fingir, em negar...
Se eu sei que o silêncio,
É tudo que me restará...
Se estas linhas sentissem,

Hoje, elas estariam chorando...


Onde andará minha menina,
Onde andará aqueles olhos,
Um gesto de neblina,
Uma certa dor sem nome.
Onde andará minha pequena,
Pulando amarelinha?
Correndo pela chuva?
Provando guloseimas?
Onde andará, menina minha,
Que tanto e tanto,
Faz-me exclamar,
E às vezes falar sozinha,
Até mesmo dialogar.
Por onde andará.
Se o teu quarto está vazio,
Sua cama ainda feita,
Suas roupas na gaveta,
E a tua ausência em cada cômodo.
Onde estará, você menina,
Verso meu, desta canção,
Que me traz a estes dias,
Uma saudade inspiração.
Vem...
Mostra-me teu semblante,
Como a posso reconhecer,
Se não és o ser de antes,
Com és sem me perder.

Parece que foi ontem,
Que me aconteceu,
Um gosto assim estranho,
Roubando os sonhos meus,
E só então eu entendi,
O que há de formidável,
É que se apagam as cores,
Deste amor solitário

terça-feira, agosto 30, 2005















Estou há horas nestas ruas,
Esperando o entardecer,
E a lua que me ofusca,
Me procura compreender.
Estou há horas nestes dias,
Nestes sois que não se põem,
Esperando que aconteça,
Uma chuva de ilusões.
Estou há anos nesta vida,
Esperando enlouquecer,
E os olhos que me fitam,
Me procuram conhecer...
A verdade é que não tenho,
Um relógio a ecoar,
E se tenho não o percebo,
Em minha alma a contar.
O que me preocupa são os passos,
Que se negam a me deixar,
Como se deixando-me, estivessem,
Dia-dia a me negar...